Neste último domingo (05ABR) estava de visita à residência de
um vizinho quando, ao passar pela sala, uma frase de rodapé na tela de sua TV
me chamou atenção: “Ela já passou fome e
hoje é milionária”.
Tratava-se de um programa de auditório (Hora do Faro – TV Record)
que, como os outros tantos, prima pelo gosto duvidoso e tendência
sensacionalista, justamente para iludir e/ou prender a atenção de inocentes e incautos.
Logo surgiu a figura da senhora Valdirene Marchiori, que se
autodenomina Val Marchiori, tipo estrela de filmes de segunda, Para ser entrevistada
pelo apresentador do programa expondo sua brilhante e, porque não dizer,
meteórica carreira rumo à riqueza.
O apresentador dá destaque, dentre outras pérolas, a sua
residência, um apartamento de 1000m² situado na parte nobre da cidade de São
Paulo que, segundo ela mesma, está avaliado em R$ 30 milhões. Em seguida, acho que
por pura maldade dos jornalistas que foram fazer a reportagem – jornalista é bicho
danado – aparece a entrevista com a genitora da senhora Valdirene, uma senhora vestida
sem nenhum luxo ou requite, num palavreado tosco, onde se nota que ela não
conseguiu decorar suas falas direito e, ao fundo, sua residência: uma pobre casinha
de madeira que se sabe ficar nos subúrbios da cidade de Arapongas, no norte do
Paraná. A entrevista com o tio da “milionária” seguiu o mesmo padrão. Ele,
coitado, não sabia nem ao menos o que estava dizendo.
Bem, perguntas inevitavelmente nos
vêm à mente: a quem interessou essa entrevista? Porque uma televisão se presta
a tal papel, assim como também o apresentador? E as melhores delas: Quem
autorizou tal entrevista e por quê?
Não estou acusando ninguém, mas notícias
que dão conta que a senhora Valdirene tem problemas com a Receita Federal, com órgãos
de crédito e que tem dois CPFs. Corre à boca pequena que obteve, à revelia dos
procedimentos, um empréstimo no Banco do Brasil de mais de R$ 2,5 milhões por
interferência do então presidente do banco, do qual é “amiga”.
Ora, será que a TV Record recebeu uma
solicitação para fazer a tal reportagem por indicação do mesmo figurão, que hoje
tem um poder de veto e aporte sobre verbas de propaganda bem maior que antes?
Sei que é especulação, mas a ideia não
é de toda descabida. Senão vejamos: mais de 90% das pessoas que compunha aquele
auditório e mesmo aquelas que assistiam ao programa (fiz pequena pesquisa a respeito) não sabiam e nem se interessavam pela dita senhora, tanto é que,
apesar dos esforços do apresentador, o auditório não se empolgou. Então sua
aparição em um programa domingueiro de auditório, mesmo que de antemão se
soubesse que não iria empolgar serviria a algum propósito, talvez o de mostrar
o lado bom, empreendedor da entrevistada, mesmo que tudo isso não passasse de
pura enganação algum caldo iria restar.
Senhores, a televisão é um veículo
poderoso de comunicação, portanto sejam sensíveis ao que veiculam. Cumpre-lhes
uma parcela grande de responsabilidade daquilo que vai ao ar. Vivemos dizendo que
o Brasil precisa de mais educação, então porque vocês não colaboram
verdadeiramente no sentido de educar, de aumentar o saber da população. Esse tipo
de reportagem não acrescenta nada a ninguém. Mesmo em sensacionalismo tem coisa
muito melhor.
E aí: Qual foi a jogada?