quarta-feira, 8 de abril de 2015

JOGADA DE MARKETING


Neste último domingo (05ABR) estava de visita à residência de um vizinho quando, ao passar pela sala, uma frase de rodapé na tela de sua TV me chamou atenção: “Ela já passou fome e hoje é milionária”.

Tratava-se de um programa de auditório (Hora do Faro – TV Record) que, como os outros tantos, prima pelo gosto duvidoso e tendência sensacionalista, justamente para iludir e/ou prender a atenção de inocentes e incautos.

Logo surgiu a figura da senhora Valdirene Marchiori, que se autodenomina Val Marchiori, tipo estrela de filmes de segunda, Para ser entrevistada pelo apresentador do programa expondo sua brilhante e, porque não dizer, meteórica carreira rumo à riqueza.

O apresentador dá destaque, dentre outras pérolas, a sua residência, um apartamento de 1000m² situado na parte nobre da cidade de São Paulo que, segundo ela mesma, está avaliado em R$ 30 milhões. Em seguida, acho que por pura maldade dos jornalistas que foram fazer a reportagem – jornalista é bicho danado – aparece a entrevista com a genitora da senhora Valdirene, uma senhora vestida sem nenhum luxo ou requite, num palavreado tosco, onde se nota que ela não conseguiu decorar suas falas direito e, ao fundo, sua residência: uma pobre casinha de madeira que se sabe ficar nos subúrbios da cidade de Arapongas, no norte do Paraná. A entrevista com o tio da “milionária” seguiu o mesmo padrão. Ele, coitado, não sabia nem ao menos o que estava dizendo.

Bem, perguntas inevitavelmente nos vêm à mente: a quem interessou essa entrevista? Porque uma televisão se presta a tal papel, assim como também o apresentador? E as melhores delas: Quem autorizou tal entrevista e por quê?

Não estou acusando ninguém, mas notícias que dão conta que a senhora Valdirene tem problemas com a Receita Federal, com órgãos de crédito e que tem dois CPFs. Corre à boca pequena que obteve, à revelia dos procedimentos, um empréstimo no Banco do Brasil de mais de R$ 2,5 milhões por interferência do então presidente do banco, do qual é “amiga”.

Ora, será que a TV Record recebeu uma solicitação para fazer a tal reportagem por indicação do mesmo figurão, que hoje tem um poder de veto e aporte sobre verbas de propaganda bem maior que antes?

Sei que é especulação, mas a ideia não é de toda descabida. Senão vejamos: mais de 90% das pessoas que compunha aquele auditório e mesmo aquelas que assistiam ao programa (fiz pequena pesquisa a respeito) não sabiam e nem se interessavam pela dita senhora, tanto é que, apesar dos esforços do apresentador, o auditório não se empolgou. Então sua aparição em um programa domingueiro de auditório, mesmo que de antemão se soubesse que não iria empolgar serviria a algum propósito, talvez o de mostrar o lado bom, empreendedor da entrevistada, mesmo que tudo isso não passasse de pura enganação algum caldo iria restar.

Senhores, a televisão é um veículo poderoso de comunicação, portanto sejam sensíveis ao que veiculam. Cumpre-lhes uma parcela grande de responsabilidade daquilo que vai ao ar. Vivemos dizendo que o Brasil precisa de mais educação, então porque vocês não colaboram verdadeiramente no sentido de educar, de aumentar o saber da população. Esse tipo de reportagem não acrescenta nada a ninguém. Mesmo em sensacionalismo tem coisa muito melhor.

E aí: Qual foi a jogada?