Viajei à Europa e durante alguns dias passei por 4 países:
Espanha, Itália, Suíça, França e de volta a Espanha. Sou viajado de Brasil, por
força do trabalho que tinha estive em praticamente todos os Estados brasileiros
e mais o Distrito Federal. Conheci por dentro e por fora a desigualdade desse
nosso País grande que, se não fosse a atuação quase sempre equivocada de
políticos governantes e legisladores, em sua larga maioria, seria também um
grande país, até quem sabe, o melhor país do mundo para se viver. É certo que
temos coisas boas, mas infelizmente são suplantadas pelas coisas ruins e sempre
em benefícios de grupelhos de assaltantes engravatados. Vi a miséria bem como o
arremedo de desenvolvimento desorganizado aqui e acolá.
Temos pela leitura e imagens uma noção do que existe no dito 1º
Mundo, mas nada substitui a vivência, o estar lá. Pude naqueles dias perceber o
enorme abismo cultural, educacional e de civilidade que separam o Brasil dos
países europeus que visitei e aqui não vale a desculpa de que somos um país
jovem, nada mais que um adolescente se comparado com a Europa, mas o que dizer
dos Estados Unidos somente oito anos mais velhos que nós em descobrimento, e o
Canadá, e a Austrália, também jovens países.
A Europa vive hoje um dos piores momentos econômicos dos últimos
tempos. Crescimento beirando a zero, quando não, negativo. O desemprego é um
fantasma que amedronta e tira o sono de famílias aos milhares, mesmo assim o
Velho Continente segue a nos dar exemplos de vida, de civilidade. As cidades a
custo das mazelas da crise, sofrem. As coisas não estão lá tão bem cuidadas,
mas cheias de dignidade. O europeu frente ao drama dos acontecimentos e mais
uma avalanche crescente de imigração, quase que totalmente ilegal, segue na
busca de soluções para seus problemas.
E nos brasileiros? Filhos desta terra farta, de tantas riquezas
naturais, de um clima abençoado, o que fazemos? Produzimos uma quantidade
enorme de governantes e legisladores, que após serem eleitos nunca sabemos quem
são e muito menos o que fazem ou deixam de fazer. Estamos desperdiçando nosso
presente assim como comprometendo o nosso futuro e de nossos descendentes e tudo
isso por falta da educação necessária e, por essa via, propiciar vida fácil a
um cordel quase infinito de aproveitadores, dos mais abusados aos mais
velhacos, dando-lhes oportunidade de se dar bem, de enganar, de roubar
descaradamente, de trapacear com o dinheiro público e fazer com que a corrupção
desenfreada não tenha fim. Estamos tão acostumados aos maus feitos que achamos
graça de nossa própria desgraça. Dinheiro da corrupção em cuecas, meias, malas,
uso indevido dos bens públicos em proveito próprio já não mais nos abala. Endeusamos
os ladrões, os corruptos, àqueles que aplicam todo tipo de golpe. Aplaudimos
essa corja e, se por um acaso são pegos aqui e ali, choram, inventam doenças
graves e aí temos pena, perdoamos tudo. Chegamos ao cúmulo de contribuir com
dinheiro para custear suas próprias falcatruas. Quanta cara de pau. Mesmo nas
novelas erramos. Torcemos pelos personagens mau-caráter, e se durante o enredo viram
bonzinhos os largamos de mão, perdem a graça. Especificamente os políticos deste
País, nem se fale. Verdadeiros sanguessugas da população que encastelados nos
seus redutos de poder, geração após geração, deleitam-se a rir de nós, e é para
rir mesmo vez que continuamos a votar neles, em suas mulheres, em seus filhos e
filhas, netos etc. Enquanto fazemos piadas de nossa própria sorte, falta-nos o conhecimento
para exigir dos governantes e legisladores as três obrigações básicas de
qualquer Estado: educação básica gratuita e de qualidade, saúde digna para
população e a segurança protetora do cidadão de bem, que lhe garanta o direito
de ir e vir.
Na outra ponta vejamos os europeus. A margem de seus infortúnios
do momento, eles, pela educação que têm, exigem de seus governantes e
legisladores que as obrigações do Estado sejam satisfeitas.
Se quisermos dar esse salto de qualidade é certo que teremos um caminho
longo a percorrer e que a batalha nossa de cada dia não vai ser fácil, mas se
unirmos forças com determinação vamos mudar esse quadro horroroso. Como nos
ensinou Chico Xavier "Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo
começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim." Já perdemos
muito tempo, cumpre-nos começar agir agora. Cada um de nós fazendo tão somente
aquilo que pode fazer e chegaremos lá, mas é preciso começar a fazer. Temos que
ser éticos, não transigir neste particular, tolerância zero. Nada de quebrar
galho, nada de jeitinho. Fazer as coisas certas, bem como certo as coisas.
Como ilustração, os acontecimentos recentes ocorridos no Estado
do Maranhão, um Estado que por incrível que pareça tem "dono", nos dá
mostra do tamanho da iniquidade em que estamos mergulhados. Ouvir da própria
governadora [filha do "dono" do Estado]: “Um dos problemas que está piorando
a segurança é que o Estado está mais rico”, frase candidata a mais
bizarra do ano, é um disparate. Justificar dessa forma tamanha barbárie é de
fazer chorar. E vale a pergunta: Mais rico de quê? Só se for de mais
miseráveis. Enquanto isso, ao lado do noticiário que dá conta do horror
existente nas prisões daquele pobre Estado, também se noticia as licitações
para aquisição, a peso de ouro, de víveres dignos de um principado abastado,
mimos para ela governadora e seus asseclas. Causa espanto constatar que quanto
mais miseráveis são as condições de vida de um povo mais ostentação exibem seus
governantes, mais corruptos são, mais desatentos e displicentes são para com as
necessidades e anseios do povo, bem como para com as obrigações e deveres do Estado.
Tenho absoluta certeza de que nada, mas nada mesmo é do
desconhecimento dos políticos deste Brasil. Todos conhecem nossa realidade, bem
como a realidade de muitos outros povos e se não fazem nada para mudar essa
triste situação é por que está bom do jeito que está, pelo menos para essa
classe de privilegiados que juntos consumiram a astronômica quantia de 170
bilhões de Reais [dinheiro público] no ano de 2012. Em 2013 esse número deve
ter crescido e muito. Quantos hospitais, escolas e meios de segurança poderiam
e deveriam estar à disposição da população somente com parte desse valor? Não
sou a favor de que se acabe com governos e casas legislativas, isso seria uma
sandice, não sou anarquista, sou sim contra o exagero no qual estamos
mergulhados. Hoje um simples vereador de cidade de interior do nada vira
milionário. Tem algo muito errado nessa história. Não tem justificativa ter um
Congresso com milhares de funcionários e outros tantos contratados e ainda os
parlamentares somarem cada um deles 25 assessores ou mais, sendo que essa
prática se replica nas assembleias estaduais e câmaras municipais. Nos países
que visitei os parlamentares não têm assessores às pencas, os funcionários das
respectivas casas legislativas fazem esse papel. Esse exagero de mordomias, nem
pensar. Os políticos, assim como a população, têm educação e instrução, isto é,
não são analfabetos, longe, bem longe disso e desta forma todos cumprem de
forma decente seu papel.
E as cidades no Brasil que são administradas, como é o natural, pelos
políticos? Mesmo as cidades grandes tipo São Paulo, Rio, etc são cidades, no
seu todo, de 2a classe. As capitais brasileiras, só para exemplificar, não colocam
à disposição da população saneamento básico de forma integral. Qual a capital
brasileira, a exceção de Brasília, que não tem esgoto a céu aberto? Contudo,
caso se bote um pé fora de Brasília, ao seu redor, a miséria impera. Na esteira
disso, nossas residências, mesmo as mais caras, são deficientes, construídas com
materiais ultrapassados, sejam louças, ferragens, etc. E as ruas e praças de
nossas cidades? Nossa !!! comparar é de doer. Lá os monumentos que contam a
história do lugar são bem cuidados; o pavimento, as calçadas, as ciclovias não
precisam ser refeitas a cada governo, tudo é feito para durar. Vejamos a
quantidade de fios aparentes em nossas cidades, são de toda ordem, ou melhor,
de toda desordem e chegam às raias da loucura. Caso se retirassem somente os
fios sem serventia encheriam vários galpões. Nas cidades civilizadas toda a
fiação é subterrânea. E o transporte público? Não tem comparação. E pensar que
Curitiba se gaba de suas acanhadas e antigas canaletas. As cidades europeias
oferecem toda sorte de transporte com eficiência e presteza. Ônibus biarticulados
a diesel, elétricos e a gás natural, que diz a lenda que o modelo biarticulado foi
copiado, em meados da década de 90, de Curitiba. Copiar aquilo que é bom é uma
virtude e não um defeito. O ruim é copiar aquilo que não presta, o que fazemos
de montão. Trens e metrôs modernos e de muita qualidade, estações
informatizadas, bondes ultramodernos, bem como aeroportos condizentes com as
necessidades da demanda complementam a matriz de transporte. Uma das consequências
dessa matriz de transporte é que o europeu, ao contrário do brasileiro, não dá
a vida por um automóvel e assim as cidades, mesmo nos horários de picos, tenham
um trânsito viável, civilizado, sem congestionamento de tirar qualquer um do
sério.
Em síntese qual a grande diferença? Educação, essa palavra
mágica. E quando se fala de educação estamos a falar de educação de base. Cá
entre nós quando se fala em educação pensa-se logo em faculdades, implantar
faculdades a torto e a direita e "formar" milhares de jovens sem o
menor preparo de base, muitos deles incapazes de intender o que leem. Isso é
coisa de analfabeto recalcado. Educar um povo é dar a esse povo uma escola
fundamental de qualidade. Foi dessa forma que os países ditos hoje de ponta
deram seus saltos de qualidade e não parindo faculdades de ciências ocultas e
letras apagadas. Faculdades de cuspi e giz não vão nos levar a lugar nenhum,
muito pelo contrário, só vão fazer crescer o número de frustrados, verdadeiros
analfabetos com diploma de curso superior. Nesse particular, está aí para
provar as olimpíadas de matemática, ciência etc que o Brasil participa e que
sempre fica na rabeira. O que verdadeiramente precisamos é de um ensino
fundamental profissionalizante capaz de formar técnicos de qualidade para todas
as áreas, que aliás é a grande grita dos empresários. O Ensino Superior fica
como uma consequência natural do processo.