Ultimamente vinha pensando que o Brasil era um
país sem sorte, mas depois de alguma reflexão vejo que sorte não tem nada a ver
com isso. O que nos acontece é que somos um povo, na sua maioria, inculto,
desleixado, sem atitudes proativas, despreparado. Segundo Facundo Cabral, um
país de muitos idiotas e são tantos que podem eleger o presidente da república.
Nos deixamos levar por sentimentos que nada têm a
haver com o que realmente importa, na realidade somos sentimentaloides. Com isso queremos mostrar que somos um povo solidário,
fraterno, que nos incomodamos com as dores dos outros etc, etc: pura balela.
Não o fazemos por nada disso, o fazemos porque não analisamos nada direito, não
raciocinamos direito, conosco é tudo em cima da perna.
Vejam a arapuca em que estamos caminhando para nos
meter. É certo que a população está querendo mudança no governo federal,
cansada de tantos escândalos, de tanta corrupção, de tanta bandalheira, de tal
ordem nunca vista em 512 anos de existência deste País, mas trocar Seis
por Meia Dúzia não vai nos levar a lugar bom nenhum.
A presidente, que dentre outras doidices avilta o
idioma, exigindo que seus asseclas a chame de “presidenta” não tem a menor ideia do que seja governar um boteco,
quanto mais um país do tamanho, importância e complexidade do Brasil. Tudo bem,
ela deve sair, ou seja, não ser reeleita, vez que sua reeleição seria uma
catástrofe, mas em seu lugar colocar outra despreparada, que já deu inúmeras
provas de incoerência, conhecida como uma pessoa desagregadora, capaz de virar
as costas ao sabor dos ventos, que já mudou de partido, religião, bem como de
opiniões firmadas, me parece uma baita temeridade. É não prezar este País, é
não querer um futuro melhor e decente para si e para seus descentes, é brincar
com a sorte, fazendo das urnas um revolver e de seu voto uma bala, num
verdadeiro brinquedo de roleta russa.
Ah! Brasil de tão pouca sorte. Com as riquezas
naturais que aqui se encontram, com um clima generoso e um solo incomparável no
seu poder de gerar alimento, era para ser o lugar da bonança, da bem
aventurança, mas qual o quê, sempre caminhamos a passos lentos. Jamais
experimentamos um período de crescimento constante, sustentável. Não, nosso
desenvolvimento se dá aos soluços, mesmo o mundo inteiro conspirando a nosso
favor, como aconteceu num passado bem recente, perdemos uma bela oportunidade
de dar aquele salto de qualidade e desenvolvimento.
E por que isso acontece? Quando um governo prepara
as bases para um crescimento sustentável e duradouro, muitas vezes à custas de
grandes sacrifícios da população, os seguintes, normalmente oposicionistas, tratam
de destruir tudo aquele esforço, sem não antes adoçar a boca dos incautos com
as bênçãos do paternalismo. O que mais doe nisso tudo é saber que essa perversa
receita tantas vezes repetidas e tantas vezes vistas os seus malefícios, não é aprendida.