terça-feira, 9 de setembro de 2014

SEIS POR MEIA DÚZIA


Ultimamente vinha pensando que o Brasil era um país sem sorte, mas depois de alguma reflexão vejo que sorte não tem nada a ver com isso. O que nos acontece é que somos um povo, na sua maioria, inculto, desleixado, sem atitudes proativas, despreparado. Segundo Facundo Cabral, um país de muitos idiotas e são tantos que podem eleger o presidente da república.

Nos deixamos levar por sentimentos que nada têm a haver com o que realmente importa, na realidade somos sentimentaloides. Com isso queremos mostrar que somos um povo solidário, fraterno, que nos incomodamos com as dores dos outros etc, etc: pura balela. Não o fazemos por nada disso, o fazemos porque não analisamos nada direito, não raciocinamos direito, conosco é tudo em cima da perna.

Vejam a arapuca em que estamos caminhando para nos meter. É certo que a população está querendo mudança no governo federal, cansada de tantos escândalos, de tanta corrupção, de tanta bandalheira, de tal ordem nunca vista em 512 anos de existência deste País, mas trocar Seis por Meia Dúzia não vai nos levar a lugar bom nenhum.

A presidente, que dentre outras doidices avilta o idioma, exigindo que seus asseclas a chame de “presidenta” não tem a menor ideia do que seja governar um boteco, quanto mais um país do tamanho, importância e complexidade do Brasil. Tudo bem, ela deve sair, ou seja, não ser reeleita, vez que sua reeleição seria uma catástrofe, mas em seu lugar colocar outra despreparada, que já deu inúmeras provas de incoerência, conhecida como uma pessoa desagregadora, capaz de virar as costas ao sabor dos ventos, que já mudou de partido, religião, bem como de opiniões firmadas, me parece uma baita temeridade. É não prezar este País, é não querer um futuro melhor e decente para si e para seus descentes, é brincar com a sorte, fazendo das urnas um revolver e de seu voto uma bala, num verdadeiro brinquedo de roleta russa.

Ah! Brasil de tão pouca sorte. Com as riquezas naturais que aqui se encontram, com um clima generoso e um solo incomparável no seu poder de gerar alimento, era para ser o lugar da bonança, da bem aventurança, mas qual o quê, sempre caminhamos a passos lentos. Jamais experimentamos um período de crescimento constante, sustentável. Não, nosso desenvolvimento se dá aos soluços, mesmo o mundo inteiro conspirando a nosso favor, como aconteceu num passado bem recente, perdemos uma bela oportunidade de dar aquele salto de qualidade e desenvolvimento.

E por que isso acontece? Quando um governo prepara as bases para um crescimento sustentável e duradouro, muitas vezes à custas de grandes sacrifícios da população, os seguintes, normalmente oposicionistas, tratam de destruir tudo aquele esforço, sem não antes adoçar a boca dos incautos com as bênçãos do paternalismo. O que mais doe nisso tudo é saber que essa perversa receita tantas vezes repetidas e tantas vezes vistas os seus malefícios, não é aprendida.