quarta-feira, 27 de maio de 2015

TERRITÓRIO GRANDE, PAÍS PEQUENO


Fico a imaginar como esse Brasil seria se ao invés de nós, na sua grande maioria tupiniquim, o povo fosse constituído de alemães. Uma pequena mostra do que poderia ser nos chegou através da imigração de europeus e japoneses do início do século passado. Vale lembrar que aqueles que aqui chegaram não eram luminares, doutores ou pessoas de formação superior e sim trabalhadores rurais em suas pátrias de origem e, mesmo com seu pouco saber, pela cultura que carregavam, iniciaram uma revolução, começando pela agricultura e, mais tarde, na indústria.

Os imigrantes aqui chegaram com uma mala na mão e nela os seus parcos objetos pessoais. Essa foi a geração dos trabalhadores braçais. A segunda geração já foi de meeiros e a terceira geração de proprietários. E por quê? Porque trouxeram a ideia do trabalho duro, a vontade de aprender e, também, de ensinar e, sobre tudo, a vontade de crescer, evoluir.

Enquanto os filhos de nossos ricos proprietários vadiavam de festa em festa os filhos deles estudavam e trabalhavam. Enquanto os filhos dos nossos ricos proprietários eram “educados” para não fazerem nada, os filhos deles eram educados para serem cidadãos que contribuíssem positivamente com a Sociedade. Nesse jogo de comportamento resultou a falência das famílias ricas e muito ricas enquanto os descendentes de imigrantes assumiam seus negócios e posições. Só que isso é pouco, é uma gota num mar de ignorância e indolência.

O Brasil pelo que se fala conta com cerca de 50 milhões de pessoas vivendo às custas das migalhas do Bolsa-Família, ou seja ¼ da população. Um desastre em termos de macroeconomia que só beneficia os governos populistas, como que temos hoje. Garante-se o voto de cabresto de uma parcela significativa da população mesmo que isso se reverta em um malefício para o País. O Bolsa Família é um programa perverso, perpetuador da dependência e da miséria. Ele não tem porta de saída, quem entra, entra para ficar e nada lhe é cobrado. Não existe contrapartida.

Nenhum país alcançou o desenvolvimento e a riqueza se não à custa do trabalho duro e bem feito de sua população, e para que esse trabalho renda os frutos necessários e suficientes sua população precisa ter educação, ter conhecimento. Não a educação que aqui se apregoa, mas sim a educação verdadeira, profissionalizante, onde o Estado se apresenta como o braço forte do ensino de base. O ensino superior que fique por conta da iniciativa privada. De nada nos vale uma enxurrada de faculdades medíocres, alicerçadas em uma escola pública arruinada e deficiente, que ao final do curso o concluinte só tem um canudo e nenhum conhecimento.

Os países ditos de primeiro mundo não alcançaram essa posição pela idade. O Egito tem milhares de anos e é um país pobre e subdesenvolvido. A idade pode trazer o conhecimento pela experiência, mas não é o fundamental. Os Estados Unidos da América têm praticamente a idade do Brasil e é a maior potência da Terra. O Canadá e a Austrália são países muito mais jovens que o Brasil, mas alcançaram níveis de Primeiro Mundo.

A quantidade e diversidade dos recursos naturais de um país são importantes, mas não é tudo. O Japão não tem recursos naturais, mas é uma potência tecnológica, isso sem falar nos Tigres Asiáticos que ontem eram países miseráveis e hoje dão aula de ciência e tecnologia.

Outra enganação é crer que o tamanho do território seja fator determinante de desenvolvimento. Países como a Bélgica e a Holanda, apesar de seus pequenos territórios, são grandes em desenvolvimento.

Então qual é o diferencial?

No meu entender é a atitude vencedora de seu povo. E essa atitude vencedora só se dá pelo conhecimento, pelo saber e o saber só se adquire através do estudo e do trabalho diligente.

Nós fomos criados por décadas, talvez séculos, ouvindo falar que aqui é o país do futuro e assim ficamos deitados eternamente em berço esplêndido à espera desse milagre, sem nos dar conta de que nós somos o milagre. Você quer um futuro melhor, trabalhe para isso, não espere que ninguém venha fazer isso por você, muito menos o governo. Essa é outra mazela nossa: Esperar que o governo, o paizão, faça as coisas por nós. O Bolsa Família é exemplo disso. O nosso sonho é: estudar pouco, trabalhar pouco e ganhar muito. Essa conta não fecha.

Somos um país continental. Temos um solo maravilhoso, um clima que nos favorece, riquezas naturais em abundância e diversificadas, no entanto, somos um país pequeno.

quarta-feira, 20 de maio de 2015

(IN)JUSTIÇA


Numa Galáxia Muito, Muito Distante.

Aquele lugar, ao longo do tempo, tem se mostrado lento no quesito modernização, mas nada tão singular quanto na área da justiça. Sua justiça além de muito lenta é, também, muito cega e esses dois fatores associados conduz à sensação de impunidade, descrença no sistema e muita frustação por parte do povo.

Do policial que se corrompe na rua por dez pilas ao magistrado dos tribunais superiores que se deixa levar por interesses estranhos à justiça enseja mazelas que afrontam àquela pobre sociedade. Senão vejamos: o policial que se corrompe por ninharia se justifica ao julgar que aquela pequena quantia não é um suborno e sim um agrado, um cafezinho, um quase nada. Contudo, esse é o começo de uma carreira pontilhada de delitos. O magistrado que julga levando em conta esse ou aquele interesse que não o interesse exclusivo da justiça, também erra.

Outro ponto crucial está nos processos, nas ações judiciais, nos escritos que chegam aos borbotões nos tribunais. Não parece ser necessário, pelo menos ao leigo de fora do sistema, que uma petição que poderia muito bem ter 3 ou 4 páginas chegar a ter de 30 a 40 e às vezes mais. São datas-venha; salvos melhor juízo; segundos esses ou aqueles fulanos; rodapés aos montes, citações às mais variadas e o que é essencial fica, na maioria das vezes perdido em meio a tantas palavras, textos e locuções absolutamente desnecessárias. Parece que foi esquecido que magistrados julgam de acordo com seus sentimentos, valores, crenças, conhecimentos, vivência, tudo em confronto com o que ele vê de essencial e não baseado em toda aquela baboseira.

E o que isso tudo traz de tão ruim? Primeiro os processos se agigantam de uma forma colossal; segundo se torna quase impossível ler tudo aquilo e é aí mora o perigo, porque quando muito se faz uma leitura diagonal. Nos tribunais de todas as instâncias um batalhão de assessores se encube de extrai daquela maçaroca o que é importante e dar um parecer. Ele, o assessor, que na sua grande maioria está ali sonhando dia e noite em se tornar, ele mesmo, o magistrado, muito embora isso raramente aconteça, não vê seu trabalho como um fim, mas sim como um meio e, dessa forma, não se emprega de corpo e alma a sua tarefa, conta as horas para sair, de ir para casa estudar, mesmo que nunca não o faça.

Os volumosos processos que de instância em instância engordam cada vez mais cria mais e mais dificuldade quanto sua leitura e consequente interpretação e a apuração do que é essencial fica à deriva. Assim, as decisões correm ao sabor de alguns achismos, suposições e, não raro, repetições.

Naquele lugar, hoje em dia, está na moda falar em reformas. Reforma de tudo, inclusive do seu judiciário, mas ninguém até hoje falou em reformar o modo de se apresentar as petições, isto é, em torná-las mais simples, mais enxutas, contendo tão somente o essencial. Desta forma qualquer um iria ler e rapidamente entender aquela petição e, o que é melhor, ter o real entendimento do assunto, das eventuais provas, qual o pedido e igualmente com relação ao contraditório.

Esse estado de coisa torna a justiça daquele lugar muito mais uma injustiça e contribui de forma decisiva para a lentidão do sistema.

Por tudo isso, talvez esteja aí o porquê da admissão de um número tão exagerado de recursos, e com eles a possibilidade de, com o tempo e outras leituras diagonais, se deparar com o que é essencial e assim se ter decisões mais justas.

quarta-feira, 13 de maio de 2015

A GREVE DOS PROFESSORES DO PARANÁ 2.0


O ano era 1988 e a redemocratização, como propagada, engatinhava nos seus três aninhos, banhada pelos ventos da Constituição Cidadã que se avizinhava e nos alcançaria em 05/10 daquele mesmo ano.

O Governo do Paraná, à época, zeloso do patrimônio público reagiu de maneira forte as vozes de quebra-quebra dos manifestantes daquele dia 29 de junho de 1988, nem todos eles professores, que rumavam para o Palácio Iguaçu e Assembleia Legislativa. O choque foi inevitável e as consequências foram: do lado dos manifestantes algumas escoriações que com pouco mais de meses estavam completamente curadas, mas do lado do Governo a história foi outra. Abriu-se uma chaga que, dentre outras, sepultou a carreira executiva do então Governador Álvaro Dias. O dano foi de tal ordem que o ex-Governador só voltou à cena política, via o Legislativo, onde até o presente ocupa uma cadeira no Senado Federal, alias com rara competência. Ainda hoje é quase um pecado se falar no nome do Senador Álvaro Dias como candidato ao Governo do Paraná, mesmo que ele tenha sido reconduzido ao Senado Federal com mais de 4,1 milhões de votos paranaenses.

O evento, para os estudiosos, deixou clara a diferença de conhecimento da nova situação entre aqueles que comandaram aquela greve e suas passeatas e a administração estadual. Os líderes grevistas se mostraram escolados, sabedores do rumo que tomariam os acontecimentos e, com isso, lograram êxito, atingiram a quem pretendiam atingir. Do outro lado, talvez ainda presos às lições do passado, o Governo não soube ler as intenções, não as explícitas, mas as camufladas, e reagiu intempestivamente perdendo crédito junto à população e, seguramente, junto ao eleitor.

Restando um mês para os 27 anos daquele acontecimento, mesmo com todo o conhecimento gerado nesse tempo todo e, mais ainda, a amostra que o movimento deu dias antes ao invadir a Assembleia Legislativa num ato no mínimo reprovável, o Governo do Estado repetiu o erro e, com isso, sacrificou, na primeira passada, o Comandante-Geral da Polícia Militar, o Secretário de Educação e o Secretário de Segurança Pública.

Em uma segunda passada que outros acontecimentos virão à tona? Certamente o Governador atual, Beto Richa, não escapará incólume, algum dano chegará até ele e se vai ser permanente ou não só o tempo vai dizer.

Ora, as cartas estavam à mesa e os jogadores deveriam saber como utilizá-las, mas parece que as lições do passado não foram absorvidas no presente pelos governistas e a história se repetiu. Basta se vê os noticiários que nos dão conta, tão somente, da truculência da polícia, das medidas extremas de força utilizadas, do despreparo não só dos soldados, mas também das autoridades envolvidas que, ao não se entenderem, mutuamente se acusaram numa tentativa atabalhoada de se livrar da responsabilidade. Nenhuma linha ou fala toca na invasão à Assembleia Legislativa pelos ditos professores, onde se viu a baderna que eles aprontaram. Isso passou para o esquecimento como se não tivesse acontecido.

Os manifestantes tiveram seus ferimentos, tenho certeza de que todos muitos bem pensados, calculados e esperados, mas o golpe no Governo foi mais fundo e suas consequências vão reder frutos e mais frutos para as oposições no futuro.

Não sendo historiador não me atrevo a tecer maiores comentários sobre os desdobramentos da Greve dos Professores do Paraná de 1988, a não ser aqueles de domínio público, mas a Greve dos Professores do Paraná de 2015, a Edição 2.0, vai dar, aos membros do atual Governo, panos pra manga como se diz no popular. Mesmo que os manifestantes não venham obter aquilo que, teoricamente, estavam reivindicado, já são vencedores.

É impressionante como nós brasileiros não gostamos de estudar, de fazer o dever de casa, e estamos sempre a repetir os erros do passado.

quarta-feira, 6 de maio de 2015

OS VERMELHOS


Sempre que o PT fala em movimentos sociais está se referindo, tão somente, aos seus similares: MST, MSTE, FUP, CUT, Via Campesina, à brasileira, e outros tantos do mesmo tom. Jamais vi ou ouvi qualquer petista, de alto abaixo, se referi, por exemplo, a Anistia Internacional, ao movimento que cuida da transparência das contas públicas, aos movimentos que cuidam da eficiência e probidade do gestor público, ao Green Peace. E por que não? Porque são apartidários, são movimentos que lutam em prol da sociedade, ou de parte dela, sem sectarismo, sem a preocupação da tomada do poder, desse ou daquele lugar, grande ou pequeno, ao contrário dos vermelhos que são sectaristas e sedentos de poder, poder de Estado.

Ao analisar os Vermelhos observamos que se dividem em dois grupos distintos: Os líderes, normalmente bem treinados e escolados que se caracterizam por ficarem ocultos, na sombra se beneficiando dos eventos, aparecendo nos momentos de oportunidade. O outro grupo, muito maior, formado pelos seguidores, pessoas dependentes, despreparadas intelectualmente e serventes como massa de manobra. São os que dão a cara para bater, são os arruaceiros, os baderneiros, atitudes próprias dos despreparados, daqueles que pensam pouco, quando pensam. Os Vermelhos quando chegam ao topo de qualquer estrutura de governo a primeira coisa que fazem é buscar formas e jeitos de se perpetuarem no poder, custe o que custar e aí vale tudo.

Senão vejamos o caso do Brasil, somente para ficarmos intramuros, vez que os exemplos na América do Sul são fartos. Há pouco mais de 12 anos os petistas chegaram à presidência da república, e o que, de cara, fizeram? Adaptaram os programas de distribuição de renda do governo anterior num grande sacolão com vista cooptar votos dos mais necessitados e, também, manter a miséria reinante inalterada e, por essa via, assegurar a cooptação de votos. Esse tipo de gente jamais pensa em ensinar a pescar, eles querem dar o peixe, mesmo que podre, para manter o cabresto. A farsa do Programa Fome Zero do início do primeiro governo do PT foi tamanha que não teve como se sustentar. Na época em que foi lançado o IBGE, um órgão estatal, publicou pesquisa que mostrava que a população brasileira estava com problemas de excesso de peso e não de fome. Recentemente o mesmo IBGE comprovou que, passados mais de uma década, a miséria vem aumentando.

Sempre que se ouve ou vê um petista falar, invariavelmente, bate na tecla de que nesses últimos 12 anos o povo, graças aos vermelhos, obteve muitas conquistas sociais e é aí que pergunto: Que conquistas? Sinceramente não sei, porque a única coisa que me vem à cabeça é o Bolsa Família, que também pode ser chamado de Bolsa Voto, Bolsa Cabresto. Outro programa, vez por outra, citado é o tal do Minha Casa Minha Vida. Um programa capenga, ineficiente e ineficaz e já executado, com os mesmos defeitos, por governos passados. Desavergonhadamente creditam a eles a valorização do Salário Mínimo, coisa que, também, veio do governo passado.

A outra forma de perpetuação no poder se dá pela via do desvio de recursos públicos em prol do partido, vide os escândalos do mensalão e mais recentemente do petrolão. Para os Vermelhos o partido se confunde com o governo e vice-versa e assim se sentem donos do país e de tudo que tem dentro. Os exemplos desse tipo de atitude, mundo a fora, são vastos e com o passar do tempo todos foram ou serão derrocados, varridos como lixo, mas enquanto vigentes fazem proliferar a pobreza e a miséria, de forma igualitária, no seio da população. Somente os líderes se dão bem, como se diz popularmente, ficam numa boa. A URSS, apesar de todo o seu poderio militar, ruiu de podre; Cuba é um exemplo lamentável de estagnação e pobreza; A Correia do Norte é quase uma piada. Na América do Sul os governos ditos populares estão levando, cada vez mais, seus respectivos países rumo à penúria. Nesse contexto vermelho a única que se salva é a China, que abdicou do modelo original e inventou o comunismo de capital, que no frigir dos ovos é um capitalismo disfarçado.

Passados mais de 50 anos da segunda tentativa de nos tornar “vermelhos” eles ainda não descobriram que nós somos verdes, somos amarelos, somos azuis e somos brancos, jamais vermelhos.