Somos um povo pra lá de interessante.
Fazemos piadas de desastres, sejam eles naturais ou não. Somos invejosos,
basta lembrar que o brasileiro, em geral, não aplaude o trabalho duro e
honesto, não dá valor a capacidade intelectual de ninguém, isso começa na
escola quando um aluno se destaca por suas notas é logo taxado de CDF, e esta
característica nos remete a conclusão de que, também, somos preguiçosos. Não damos o devido valor ao trabalho duro e honesto. Sempre pretendemos aprender sem estudar; ganhar um bom salário sem a contrapartida do esforço laboral, e por aí vai.
Uma pessoa, qualquer pessoa, que
tenha claros defeitos, dentre eles alguns passíveis de severa punição, por
incrível que possa parecer, recebe o reconhecimento e apoio de muita gente e aí
se inclua até mesmo pessoas que se espera serem esclarecidas.
Quando morre aí a festa é geral. No
Brasil morreu vira santo. E o interessante é que se foi uma pessoa digna e de
bem, vira santo, mas se foi um escroque, um pulha da sociedade, para muita
gente vira santo.
Estamos, neste exato momento, vendo
esse fenômeno em sua plenitude. O candidato à presidência da República Eduardo
Campos morreu em acidente de avião, acidente esse cercado de histórias e
enredos mal contados e alguns até mesmo mal ensaiados, que vivo e em plena
campanha, junto com sua vice, a Srª Marina Silva, não despertaram grande
interesse junto ao eleitorado e, se as pesquisas não nos enganam, estavam aí
com 11% das intenções de voto. Caso não tivesse havido o acidente e consequente
morte do candidato, é de se sopor que a variação daquele percentual não teria
se alterado significativamente.Vejamos. O candidato morre a vice assume o seu lugar, em meio a uma comoção nacional. Não se pode negar que o Sr Eduardo Campos era um jovem político em ascensão e que certamente, se não nesta, mas em futuras eleições presidenciais seria uma peça a ser considerar com fortes possibilidades de levar o pleito.
E é neste momento que se faz presente
o nosso jeito de adoração aos coitadinhos e a Srª Marina está encarnando com
maestria o papel de coitada e de carona nesta nossa característica decola nas
pesquisas. Não se questionou, em momento algum as possíveis qualidades, bem
como os possíveis defeitos da vice guindada à posição de titular. Ficou no
esquecimento, ou mesmo ficou batido, o fato de que a Srª Marina que hoje se diz
evangélica, nada contra ser evangélica, religião que merece, como as demais,
todo o nosso respeito e consideração, mas lembrar que a candidata que foi cria
da Igreja Católica e com apoio da qual foi eleita vereador, deputada e
senadora, ao abrigo do PT do Acre, e simplesmente lhe deu às costas. Não pode ficar no esquecimento o fato de que
como ministra do Meio-Ambiente lutou bravamente contra a construção de usinas, mais
que necessárias ao desenvolvimento nacional e que não foi das mais amigas do Agronegócio.
Se tivéssemos a possibilidade de
enfileirar todos, aqueles que declaram votar na Srª Marina na próxima eleição presidencial
e perguntássemos qual a razão de seu voto, cerca de 90% não saberiam responder
ou diriam ser uma homenagem a Eduardo Campos (o Santo), os restantes 10% seriam
aqueles que com o sem acidente dariam seu voto. É uma característica nossa que não
contribui em nada e que só atrapalha.