quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

SER OU NÃO SER CHARLES


Sou democrata e, como tal, acredito no conceito do “Direito de Livre Expressão”, tema mundialmente consagrado, e como não poderia deixar ser, também, presente na Constituição Brasileira. Em contrapartida, de igual forma, acredito no Dever de respeito aos credos, cultos e religiões hoje existentes mundo a fora.

De logo, cabe enfatizar a singular diferença entre direito e dever. O primeiro é uma faculdade nossa, faz parte de nosso livre arbítrio, conquanto que o segundo não nos cabe decisão, temos que o acolher.

Vi, com sincera tristeza o resultado do atentado ao Jornal Charles Habdo, onde vidas foral ceifadas, de ambos os lados. Não sou e jamais serie a favor da violência, seja ela de que forma for. No entanto não posso me furtar à consideração de que ao se levar em conta um “direito” fique esquecido um “dever”. Um meio de comunicação de massa não pode se dar ao luxo ou mesmo a onipotência de se achar com a primazia de sobrepujar um dever pura e simplesmente em razão um direito. Sábio é o ensinamento quando diz que a liberdade de um termina exatamente quando começa a do outro.

O homem, desde o alvorecer de seus dias, sempre teve em conta suas crenças. Isto o tem fascinado através dos tempos de tal forma que incontáveis conflitos foram provocados e atribuídos elas e, ainda hoje isso ocorre.

Voltando ao questionamento de Ser ou Não Ser Charles, eu digo que não, não sou Charles, eu sou José, eu sou João, eu sou até mesmo Carlos, brasileiro, com múltiplos problemas, mas com convicções fortes de respeito às crenças dos outros sejam quais forem, sendo impensável se matar ou mutilar em nomes delas e, no mesmo entender não denegrir uma crença só por ser diferente da sua, ou o que ainda é pior, fazê-lo em razão de auferir qualquer tipo de ganho ou vantagem.