Sou democrata e, como tal, acredito no
conceito do “Direito de Livre Expressão”, tema mundialmente consagrado, e como
não poderia deixar ser, também, presente na Constituição Brasileira. Em
contrapartida, de igual forma, acredito no Dever de respeito aos credos, cultos
e religiões hoje existentes mundo a fora.
De logo, cabe enfatizar a singular
diferença entre direito e dever. O primeiro é uma faculdade nossa, faz parte de
nosso livre arbítrio, conquanto que o segundo não nos cabe decisão, temos que o
acolher.
Vi, com sincera tristeza o resultado
do atentado ao Jornal Charles Habdo, onde vidas foral ceifadas, de ambos os
lados. Não sou e jamais serie a favor da violência, seja ela de que forma for.
No entanto não posso me furtar à consideração de que ao se levar em conta um
“direito” fique esquecido um “dever”. Um meio de comunicação de massa não pode
se dar ao luxo ou mesmo a onipotência de se achar com a primazia de sobrepujar
um dever pura e simplesmente em razão um direito. Sábio é o ensinamento quando
diz que a liberdade de um termina exatamente quando começa a do outro.
O homem, desde o alvorecer de seus
dias, sempre teve em conta suas crenças. Isto o tem fascinado através dos
tempos de tal forma que incontáveis conflitos foram provocados e atribuídos
elas e, ainda hoje isso ocorre.
Voltando ao questionamento de Ser ou
Não Ser Charles, eu digo que não, não sou Charles, eu sou José, eu sou João, eu
sou até mesmo Carlos, brasileiro, com múltiplos problemas, mas com convicções
fortes de respeito às crenças dos outros sejam quais forem, sendo impensável se
matar ou mutilar em nomes delas e, no mesmo entender não denegrir uma crença só
por ser diferente da sua, ou o que ainda é pior, fazê-lo em razão de auferir
qualquer tipo de ganho ou vantagem.