quarta-feira, 7 de outubro de 2015

MUITO PRAZER, TCU

Foi como se de repente o País inteiro descobrisse a existência de tribunal, mais especificamente, o Tribunal de Contas da União – TCU e olha que existe há mais de 80 anos. Também se descobriu que nesses 80 anos somente uma vez as contas da presidência da República foram rejeitas, em 1938, não sei por que motivo, e hoje em razão das famosas “Pedalas Fiscais”, um eufemismo que quer dizer exatamente que a Presidente da República e seus assessores da área econômica, isto é, ministro da Fazenda e secretário do Tesouro Nacional (indicado pelo ministro da Fazenda), simplesmente descumpriram a Lei nº 101/2000 de Responsabilidade Fiscal, que foi criada justamente para evitar tais abusos. Descumprir uma lei é passível de punição e, em alguns casos, passível de condenação e privação da liberdade.
Em meados do primeiro mandato da atual presidente da República o “Financial Times”, um dos periódicos mais conceituados do mundo em economia, publicou um texto onde claramente apontava erros crassos da lavra do Sr Guido Mantega, à época titular da Fazenda, e dizia que ele levaria a economia do Brasil ladeira a baixo e, portanto, deveria ser imediatamente substituído.
A reação do Governo brasileiro foi de imediata indignação. Quem é esse articulista para se imiscuir nos assuntos soberanos do Brasil? Os bajuladores, sindicalistas pelegos e toda uma sorte de puxas-saco e até mesmo a presidente da República saíram em defesa da competência e discernimento do então ministro. Caso tivessem dado ouvidos ao texto do Financial Times e tivesse a presidente nomeado um ministro da Fazenda, não por ser filiado ao PT, mas por competência em economia, certamente não estaria na situação calamitosa em que se encontra agora.
Não vamos esquecer que o Sr Mantega foi demitido do cargo de ministro meses antes do término do primeiro mandato da Srª Dilma por absoluta incompetência e, hoje também sabemos que tudo foi feito em favor da reeleição da presidente. A silenciosa saída do Sr Mantega da Fazenda, sem alarde e à base do deixa quieto o que está quieto, tem muito a ver com as falcatruas que aprontou em prol da reeleição. Parece ter sido um troco pelo serviço prestado.
Hoje o Brasil se tornou mais maduro, mais digno, mais transparente com a chegada em cena do TCU, mesmo que passados quase um século de obscuridade. A decisão tomada hoje manda um recado expressivo aos Tribunais de Contas dos Estados para que se espelhem nele e, subliminarmente, também um forte recado a governadores e prefeitos quanto a fiel observância da Lei de Responsabilidade Fiscal, vez que se a presidente da República teve suas contas rejeitadas e, a partir disso, poder sofrer sérias consequências, inclusive a possibilidade de um impeachment, para baixo não pode ser diferente.

As famosas “Pedaladas Fiscais” são um exemplo negativo a todos os governadores e prefeitos deste País. Como já disse, por mais de uma vez: Palavras convencem, mas exemplos arrastam. E esse deplorável exemplo não contribui para melhoria do Brasil, muito pelo contrário, só compromete a Administração Pública.