quarta-feira, 22 de julho de 2015

OS DONOS DO BRASIL


Desde que o Brasil é Brasil, e lá se vão mais de 500 anos, ele sempre teve uma classe que por determinado tempo se julgou seu dono e de forma bem incisiva, compra com pagamento à vista.

Começou com as Capitães Hereditários, que foram substituídas pelos comerciantes e atravessadores de ouro e pedras preciosas nos corredores das Minas Gerais e outros rincões.

Em seguida vieram os Senhores de Engenhos e suas sinhazinhas muito recatadas, mas igualmente pedantes do poder que a época lhes conferia. Finda essa etapa foi a vez dos Barões do Café a mandar e desmandar no País.

Passado tanto tempo, mesmo ao sopé do Século XXI ainda não conseguimos nos livrar dessa pecha que, dentre outras, marca um Estado subdesenvolvido. Está aí para quem quiser ver e constatar: Vivemos a época dos Empreiteiros. Homens onde a baixa escolaridade dos pioneiros deu lugar a arrogância evidente e avidez desenfreada pelo ganho fácil de seus sucessores, normalmente familiares, cientes de que nada neste lugar, que chamam de seu, vai lhes atingir.

Se fizermos uma busca na história vamos constatar que aos favorecidos de ontem e anteontem nada, mas absolutamente nada lhes aconteceu, mesmo que tenham ao longo de seus “reinados” pintado e bordado. Ora, os novos donos sempre estiveram seguros que nada, mas absolutamente nada iria lhes acontecer também, baseados na lógica de que quando um evento acontece “n” vezes é praticamente certo que aconteça “n+1” vezes.

O que ora assistimos, num desdobramento da Operação Lava Jato, é inusitado e surpresos indagamos: Será que desta vez a Justiça alcançará igualmente a todos? O histórico nos diz para não acreditar. O exemplo do “Mensalão”, onde a sociedade esclarecida apostou todas suas fichas que desta vez a impunidade não iria lograr êxito, está aí a nos servir de parâmetro. Que “mensaleiro” político está preso? Nenhum, e mesmo aqueles em liberdade condicional lutam por uma ficha limpa, já existindo caso de total anulação das penalidades, muito embora a robustez das provas contra.

Neste caso chamado de "Petrolão" muito embora alicerçados em um caminhão, e dos grandes, de provas a Polícia Federal, o Ministério Público Federal, a Justiça Federal e, também, o Supremo Tribunal Federal estão sendo bombardeados, primeiro com pedidos e mais recentemente com ameaças com vistas livrar os empreiteiros, que como todo cidadão que se afasta do caminho reto deve arcar com as consequências de seus atos. O que fica no ar é o pavor de ser envolvida nesse mar de lama muita gente hoje pendurada em polpudos cargos, gozando das benesses e mordomias oferecidas pelo Estado. A todo o momento nos chegam notícias de que essa ou aquela autoridade arrolada ou citada nesse que é o maior e mais fabuloso escândalo de corrupção já visto não só no Brasil, mas no mundo, vez que não se tem notícia de nada que chegue aos seus pés, declarar publicamente que vai fazer ou dizer isso e aquilo, que se for preso vai faltar cadeia para muitas outras autoridades e ex-autoridades, num exemplo claro de chantagem explícita, sem deixar de lado os membros de primeiro escalão do Governo Federal aí incluída a própria Presidente da República, hoje uma quase pobre coitada a mercê dos acontecimentos.

É possível que estejamos assistindo a derrocada de mais uma classe que se achava dona do Brasil e assim sendo podia tudo. Mas não somos ainda o País que sonhamos, somos o País que merecemos e, assim sendo cabe a indagação: Que classe caminha a passos largos para substituir os empreiteiros? A resposta parece óbvia: Os políticos, que alias muitos já se veem nessa situação de acima do bem e do mal há algum tempo.

Que Deus nos guarde!!!