Desde que o
Brasil é Brasil, e lá se vão mais de 500 anos, ele sempre teve uma classe que por
determinado tempo se julgou seu dono e de forma bem incisiva, compra com
pagamento à vista.
Começou com
as Capitães Hereditários, que foram substituídas pelos comerciantes e
atravessadores de ouro e pedras preciosas nos corredores das Minas Gerais e
outros rincões.
Em seguida
vieram os Senhores de Engenhos e suas sinhazinhas muito recatadas, mas
igualmente pedantes do poder que a época lhes conferia. Finda essa etapa foi a
vez dos Barões do Café a mandar e desmandar no País.
Passado tanto
tempo, mesmo ao sopé do Século XXI ainda não conseguimos nos livrar dessa pecha
que, dentre outras, marca um Estado subdesenvolvido. Está aí para quem quiser
ver e constatar: Vivemos a época dos Empreiteiros. Homens onde a baixa escolaridade
dos pioneiros deu lugar a arrogância evidente e avidez desenfreada pelo ganho
fácil de seus sucessores, normalmente familiares, cientes de que nada neste
lugar, que chamam de seu, vai lhes atingir.
Se fizermos
uma busca na história vamos constatar que aos favorecidos de ontem e anteontem
nada, mas absolutamente nada lhes aconteceu, mesmo que tenham ao longo de seus “reinados”
pintado e bordado. Ora, os novos donos sempre estiveram seguros que nada, mas
absolutamente nada iria lhes acontecer também, baseados na lógica de que quando
um evento acontece “n” vezes é praticamente certo que aconteça “n+1” vezes.
O que ora assistimos,
num desdobramento da Operação Lava Jato, é inusitado e surpresos indagamos: Será
que desta vez a Justiça alcançará igualmente a todos? O histórico nos diz para não
acreditar. O exemplo do “Mensalão”, onde a sociedade esclarecida apostou todas
suas fichas que desta vez a impunidade não iria lograr êxito, está aí a nos servir de parâmetro. Que “mensaleiro” político está
preso? Nenhum, e mesmo aqueles em liberdade condicional lutam por uma ficha limpa, já existindo caso de total anulação das penalidades, muito embora a robustez das provas contra.
Neste caso chamado de "Petrolão" muito embora alicerçados
em um caminhão, e dos grandes, de provas a Polícia Federal, o Ministério
Público Federal, a Justiça Federal e, também, o Supremo Tribunal Federal estão sendo bombardeados,
primeiro com pedidos e mais recentemente com ameaças com vistas livrar os
empreiteiros, que como todo cidadão que se afasta do caminho reto deve arcar
com as consequências de seus atos. O que fica no ar é o pavor de ser envolvida nesse mar de lama
muita gente hoje pendurada em polpudos cargos, gozando das benesses e mordomias
oferecidas pelo Estado. A todo o momento nos chegam notícias de que essa ou
aquela autoridade arrolada ou citada nesse que é o maior e mais fabuloso escândalo de
corrupção já visto não só no Brasil, mas no mundo, vez que não se tem notícia
de nada que chegue aos seus pés, declarar publicamente que vai fazer ou dizer isso
e aquilo, que se for preso vai faltar cadeia para muitas outras autoridades e
ex-autoridades, num exemplo claro de chantagem explícita, sem deixar de lado os
membros de primeiro escalão do Governo Federal aí incluída a própria Presidente
da República, hoje uma quase pobre coitada a mercê dos acontecimentos.
É possível
que estejamos assistindo a derrocada de mais uma classe que se achava dona do
Brasil e assim sendo podia tudo. Mas não somos ainda o País que sonhamos, somos
o País que merecemos e, assim sendo cabe a indagação: Que classe caminha a passos largos para substituir
os empreiteiros? A resposta parece óbvia: Os políticos, que alias muitos já se veem
nessa situação de acima do bem e do mal há algum tempo.
Que Deus
nos guarde!!!