quarta-feira, 29 de julho de 2015

CORRUPÇÃO DESENFREADA - MARCO ZERO


Em todos os tempos, em todos os lugares a corrupção aparece como praga, como se fizesse parte dos governos. O homem e seu desejo de mais poder e de mais dinheiro, faces de uma mesma moeda, se deixa levar pelo canto da sereia, ou seja, a busca do dinheiro fácil, o dinheiro do Estado, que não é meu, não é seu, mas que é de todos e que existe para que o Estado regulador propicie o bem comum e não o privilégio desse ou daquele cidadão, grupo ou entidade.

Á História dá conta que desde que o homem se organizou em sociedade adveio o flagelo da corrupção. No Império Britânico, que dominou o mundo por séculos, se dizia à boca pequena que era mais fácil encontrar uma prostituta descente do que um governador honesto, isso para notificar a presença inconveniente da corrupção.

Ora, se a corrupção é um fato que existe desde os primórdios da civilização então qual é o nosso problema?

O que nos diferencia de muitos é que no nosso caso ela é crescente e está aliada a impunidade. Nossos corruptos e/ou corruptores, quando descobertos, não são exemplarmente punidos e quase sempre se safam ilesos, prontos para voltar às suas atividades criminosas. Nós não inventamos a corrupção, nós inventamos e cultuamos a impunidade, que é a grande incentivadora da corrupção.

Nós somos lentos no enfrentamento e resolução dos problemas. Temos a tendência de empurrar com a barriga aqueles que surgem a nossa frente e quando partimos para enfrenta-los, não raro, o fazemos de forma equivocada, naquele nosso jeito de quebrar o galho, de dar um jeitinho, de improvisar, sem o devido planejamento, nas coxas como vulgarmente se fala.

Estabelecido que a corrupção no Brasil é crescente, onde corruptos e corruptores se mostram cada dia mais audaciosos, há de se perguntar: a partir de que momento esse aceleramento se evidenciou? Certo, não é uma pergunta fácil de responder, mas se pode especular a partir do registro de dados e fatos.

Em 15 de março de 1985, beneficiado pela morte do candidato eleito o vice, Sr José Sarney, assume como presidente da República, algo por ele jamais imaginado. Em outras palavras: assume o mais alto cargo do País um despreparado, no momento em o País estava dando adeus aos dias de governo dos Generais Presidentes e que a partir dali, vida nova, todos os nossos problemas seriam resolvidos.

Como povo temos outro grande defeito, pensar que um fato, mesmo que isolado pode, qual varinha de condão, nos salvar de todas as mazelas: As Diretas Já iriam nos salvar; A Constituinte pela elaboração de uma nova constituição iria nos salvar; A plena democracia iria nos salvar; Os diversos Planos Econômicos iriam nos salvar e por aí fomos até que o povo julgou, mais uma vez errado, que o PT, através de seu líder maior e sua trupe, seria a salvação do País. Como nos demais casos demos com os burros n’água, esquecendo que nossa salvação não está em nada disso, está dentro de cada um de nós e não fora. Neste contexto de esperar salvadores da Pátria, baixamos a guarda, olhamos para o lado e aproveitadores de todos os naipes se fizeram presentes e aí se dá início a Corrupção Desenfreada de agora, é o Marco Zero.

Lembro bem. Um dos primeiros senão o primeiro ato do pós-revolução foi negar tudo que lembrasse aquela época. O medo seria substituído pelo respeito; A liberdade seria uma constante, etc. Logo ficou claro que não era mais preciso reverenciar a Pátria. Nada de respeito aos mais velhos. Nada de civismo, isso eram coisas de milico tacanho. Esquecendo que quando se abre mão desses valores vêm num galope os efeitos colaterais nocivos e hoje vemos estarrecidos jovens que deveriam estar estudando agredir professores e vandalizar as salas de aula; filhos que deveriam respeitar, agredir fisicamente seus pais, colegas etc. Uma guerra sem trincheira. Os valores de família se foram e, junto com eles, os valores de Pátria, de civilidade.

A nossa moralidade se esvaiu por entre nossos dedos, fluiu ralo abaixo e esse fato junto a outros de igual natureza propiciaram terreno fértil para o crescimento da corrupção, num salve-se quem puder, onde tudo é justificado, num processo de perde-ganha, onde o povo perde e os corruptos ganham.

O governo, seja ele qual for, é um retrato de seu povo. Não nos enganemos, nós somos células do governo que está aí e, assim sendo, se pode afirmar: Cada povo tem o governo que merece.

Sem moralidade de costumes, de respeito, de sociabilidade, de nossa casa ao palácio, abrimos mão do que é certo e passamos a aplaudir os criminosos e nos escandalizar com seus crimes, como se uma coisa não tivesse absolutamente nada a ver com a outra. Chegamos ao absurdo de mandar um presidente da República pra fora do governo e tempos depois eleger o mesmo sujeito para senador da República. O povo elegeu cheio de esperança um operário sem questionar seu currículo, muito menos o que tinha feito de certo ou de errado, de bom ou de ruim e deu no deu. Estamos prestes a descobrir que o operário que virou presidente e ato contínuo virou bilionário junto com seus familiares, “companheiros”, associados e apaziguados pode ser o “chefe” de toda essa quadrilha que corrompeu parlamentares (Mensalão) e que deu vida ao Petrolão. Uma farra com o dinheiro público jamais vista na História da Terra.
O povo, em meio a isso tudo, se espelha na máxima de que se as palavras convencem, os exemplos arrastam e os exemplos que vêm de cima, dos palácios governistas, não são nada republicanos.

Quando se afirma que nossa corrupção é crescente basta enumerar os muitos casos de desvio de recursos públicos já descobertos e constatar que cada um é maior e mais audacioso que seu antecessor. Corruptos e corruptores a toda hora afrontam a lei e a ordem numa explicita demonstração de poder. Ameaças silenciam bocas; tiram de cena pessoas e instituições que ousaram demonstrar desejo de ir contra seus escusos interesses e o medo presente fala mais alto e muitos se calam e alguns fogem em respeito a suas vidas e a vida de seus familiares.

Nesse trilhar não conseguiremos avançar, restando aos afortunados as portas de saída dos aeroportos internacionais e aos humildes mortais conviver com tudo de ruim que a Corrupção Desenfreada é capaz de produzir.