quarta-feira, 17 de junho de 2015

MILITARES DE ANTIGAMENTE


Não sei quanto a vocês, mas eu praticamente não reconheço os militares de hoje em dia. Não estou apregoando que as Forças Armadas brasileiras, ou melhor, desarmadas, promovam golpes de Estado e retomadas do poder, mesmo porque com o armamento que hoje dispõem pouco poderia fazer nesse sentido, a não ser, é claro, se tomassem, mesmo que por empréstimo, o armamento hoje nas mãos de traficantes e bandidos de toda ordem Brasil a fora.

Quero me referir à postura de seriedade que sempre foi o foco de suas ações. Não compactuando com toda essa bandidagem que se apossou do governo de cima a baixo. E não satisfeitos com todo o mal que infringiram à população brasileira, ainda voltaram sua gana em direção às empresa estatais de economia mista, sem se dar conta de que a Nação, como entidade, não é proprietária exclusiva dessas organizações. E assim, espoliaram a Petrobras, tida por muitos de nós como orgulho nacional.

Junto a toda essa ganância administrativa e, também, pela falta de escrúpulo dos agentes governistas desses últimos anos, voltaram suas atenções para os Fundos de Pensão, dessas mesmas estatais, que alias não pertencem ao governo, mas que pelo poder de indicação de seus gestores, está os exaurido a olhos vistos. O Fundo de Pensão dos empregados dos Correios (POSTALIS) é um triste exemplo dessa política de apropriação indébita, e se não houver um basta nessa falta de vergonha outros Fundos de Pensão podem seguir o mesmo caminho em prejuízo de milhares de brasileiros que por décadas deram parte significativa de seus salários como contribuição aos seus respectivos Fundos de Pensão.

Nunca se viu tanta bandalheira, tanta roubalheira, tanta cara de pau. Basta se ver um cidadão que há bem pouco tempo foi flagrado com milhares de dinheiro escondidos na cueca ser eleito deputado federal e pousar de líder do governo na Câmara. É o fim do descaramento moral. Um outro cidadão que foi apeado da Presidência da República por improbidade, recebendo em 29 de setembro de 1992, do Congresso Nacional, um impeachment hoje é Senador da República e vive de braços dados como o Partido que à época foi seu algoz-mor. Como vemos nesses dois exemplos cumpre-se a máxima que diz: “Todo povo tem os governantes que merece.” Precisamos mudar esse jogo e merecer governantes melhores.

É perfeitamente aceitável que os militares, pelo dogma da disciplina e da hierarquia, se atenham aos quarteis, mas pactuar como esse estado de coisa é muito diferente. A imprensa nos mostrou um oficial superior do Exército na posse do presidente da Venezuela. Que barbaridade. O que estava fazendo lá aquele militar? Prestigiando o que e a quem? Há quem corra em sua defesa alegando que ele ali estava representando o Governo Brasileiro. Ora, isso não seria uma missão para um diplomata, que cumpriria a tarefa com muito mais vantagem? Primeiro por ser um profissional formado e treinado para isso e, segundo, não iria expor as Forças Armadas a esse vexame. Um representante trajado em pé de igualdade aos presentes passa despercebido, enquanto um militar fardado não, a não ser que a intensão fosse a de se fazer notar.

Senão vejamos mais um simples exemplo: O Conselho de Administração da Petrobras recém-expurgado, contava com um oficial general do Exército como Conselheiro. Aí vem a pergunta: esse general não viu, mesmo que por alto, o imenso problema por que passava aquela companhia? Afinal todas as decisões importantes são discutidas, aprovadas ou rejeitadas ali. Será que foi colocado naquele Conselho tão somente para votar conforme as ordens do Poder Executivo que representa o Acionista Majoritário?

Lembro-me dos militares brasileiros do passado, mesmo do passado recente. Homens de honra e patriotismo, íntegros, que mesmo ocupando os mais altos cargos da República não encheram seus bolsos, não enriqueceram seus filhos, demais parentes e apadrinhados como se vê acontecer com todos ou quase todos aqueles que por filiação ou oportunismo são guindados a um cargo governamental.

Que volte a decência, a honra e o patriotismo.