Não sei quanto a vocês, mas eu
praticamente não reconheço os militares de hoje em dia. Não estou apregoando que
as Forças Armadas brasileiras, ou melhor, desarmadas, promovam golpes
de Estado e retomadas do poder, mesmo porque com o armamento que hoje dispõem pouco
poderia fazer nesse sentido, a não ser, é claro, se tomassem, mesmo que por
empréstimo, o armamento hoje nas mãos de traficantes e bandidos de toda ordem
Brasil a fora.
Quero me referir à postura de
seriedade que sempre foi o foco de suas ações. Não compactuando com toda essa
bandidagem que se apossou do governo de cima a baixo. E não satisfeitos com
todo o mal que infringiram à população brasileira, ainda voltaram sua gana em
direção às empresa estatais de economia mista, sem se dar conta de que a
Nação, como entidade, não é proprietária exclusiva dessas organizações. E assim,
espoliaram a Petrobras, tida por muitos de nós como
orgulho nacional.
Junto a toda essa ganância administrativa
e, também, pela falta de escrúpulo dos agentes governistas desses últimos anos,
voltaram suas atenções para os Fundos de Pensão, dessas mesmas estatais, que alias
não pertencem ao governo, mas que pelo poder de indicação de seus gestores, está
os exaurido a olhos vistos. O Fundo de Pensão dos empregados dos Correios (POSTALIS)
é um triste exemplo dessa política de apropriação indébita, e se não houver um
basta nessa falta de vergonha outros Fundos de Pensão podem seguir o mesmo
caminho em prejuízo de milhares de brasileiros que por décadas deram parte
significativa de seus salários como contribuição aos seus respectivos Fundos de
Pensão.
Nunca se viu tanta bandalheira,
tanta roubalheira, tanta cara de pau. Basta se ver um cidadão que há bem pouco
tempo foi flagrado com milhares de dinheiro escondidos na cueca ser eleito
deputado federal e pousar de líder do governo na Câmara. É o fim do descaramento
moral. Um outro cidadão que foi apeado da Presidência da República por
improbidade, recebendo em 29 de setembro de 1992, do Congresso Nacional, um impeachment hoje é Senador da República e vive de braços dados como
o Partido que à época foi seu algoz-mor. Como vemos nesses
dois exemplos cumpre-se a máxima que diz: “Todo povo tem os governantes que merece.”
Precisamos mudar esse jogo e merecer governantes melhores.
É perfeitamente aceitável que os
militares, pelo dogma da disciplina e da hierarquia, se atenham aos quarteis,
mas pactuar como esse estado de coisa é muito diferente. A imprensa nos mostrou
um oficial superior do Exército na posse do presidente da Venezuela. Que barbaridade.
O que estava fazendo lá aquele militar? Prestigiando o que e a quem? Há quem corra em sua
defesa alegando que ele ali estava representando o Governo Brasileiro. Ora, isso
não seria uma missão para um diplomata, que cumpriria a tarefa com muito mais
vantagem? Primeiro por ser um profissional formado e treinado para isso e,
segundo, não iria expor as Forças Armadas a esse vexame. Um representante trajado
em pé de igualdade aos presentes passa despercebido, enquanto um militar
fardado não, a não ser que a intensão fosse a de se fazer notar.
Senão vejamos mais um simples
exemplo: O Conselho de Administração da Petrobras recém-expurgado, contava com
um oficial general do Exército como Conselheiro. Aí vem a pergunta: esse
general não viu, mesmo que por alto, o imenso problema por que passava aquela
companhia? Afinal todas as decisões importantes são discutidas, aprovadas ou
rejeitadas ali. Será que foi colocado naquele Conselho tão somente para votar conforme
as ordens do Poder Executivo que representa o Acionista Majoritário?
Lembro-me dos militares brasileiros
do passado, mesmo do passado recente. Homens de honra e patriotismo, íntegros, que mesmo
ocupando os mais altos cargos da República não encheram seus bolsos, não enriqueceram
seus filhos, demais parentes e apadrinhados como se vê acontecer com todos ou
quase todos aqueles que por filiação ou oportunismo são guindados a um cargo
governamental.
Que volte a decência, a honra e
o patriotismo.