quarta-feira, 19 de agosto de 2015

OUVIDOS SURDOS


Qual governo iria se manter teimosamente de pé após três manifestações, à nível nacional, em que a população brasileira mostrou com todas as letras sua indignação contra um governo escorado em 7% de satisfeitos contra 93% de insatisfeitos. Desta última vez as manifestações focaram o “Fora Dilma”, o “Fora PT" e o “Impeachment da Presidente” estampado em faixas que ganharam as ruas e avenidas com seus 100 metros de comprimento.

Os manifestantes, em todo o País, além de repudiar a corrupção, o desemprego, a inflação e valorizar o trabalho da Polícia Federal, Ministério Público e Justiça Federal elevando a figura do Juiz Sérgio Moro em clara defesa da Operação Lava Jato, voltaram suas atenções para o Sr Lula, que sempre pareceu pertencer ao Olimpo dos Deuses e acima do bem e do mal, ausente de todo esse mar de lama que por sinal foi fecundado e nascido em seus dois períodos de governo. O atual governo capenga e sem sal tem como demérito ter dado continuidade a esse escabroso processo de deterioração do Estado, talvez não por vontade própria, mas por singular incompetência de controle e conhecimento da lide do dia-a-dia.

A antes dita “chefona” do Palácio do Planalto desde um bom tempo finge que governa e todo o seu séquito de incompetentes aduladores e aproveitadores, alguns extremamente pedantes, fingem que ela manda, mas todos cientes que a realidade é bem outra e agora com a perda de sua muleta-mor, o Sr Lula, que à vista da possibilidade de a coisa degringolar vai tentar fazer seu pirão primeiro, mesmo sendo ele é o dito chefe de toda essa patifaria.

Está aí para quem quiser ver os urubus sobrevoando em círculo a carniça e se preparando, cada um a seu molde, para embates vigorosos em busca dos maiores nacos. Quem pode confiar nas figuras que aí estão postas. Basta olhar a atual linha de sucessão e rememorar as atitudes de cada um deles no passado, mesmo o passado recente, sem falar de seus anunciados envolvimentos nos esquemas de corrupção investigados na Operação Lava Jato. Estamos realmente órfãos de lideranças com um mínimo de decência.

A presidente do alto de sua arrogância não ouviu o recado das ruas nem ontem, nem hoje e certamente não amanhã. Prefere ouvir seus aduladores. Foi assim desde o começo e nos diz a lógica que assim será até o seu fim.

Ela ganhou duas eleições. A primeira impulsionada pelo seu antecessor, à época um morador privilegiado do Olimpo onde nada lhe atingia e o povão cego em adoração dizia amem a tudo que viesse dele, com a complacência  inerte da oposição, que de oposição não teve nada.

A sua segunda vitória eleitoral foi alicerçada em falsas promessas e mentiras em larga escala. Tanto foi assim que fez tudo que disse de aterrorizante que seu adversário iria fazer.

Passados três meses de governo se profetizou que ela não chegaria ao fim de seu mandato, hoje há quem diga que seu mandato já acabou só ela que ainda não sabe, ou não quer saber, acobertada e iludida pelos mesmos aduladores.

Caso tivesse algum senso de correção poderia ter, pelo menos, tentado salvar seu desastroso mandato. Fizesse uma redução drástica na máquina paquidérmica do Executivo, começando reduzindo o número cavalar de ministérios; o vergonhoso número de pessoas nomeadas para não fazer nada. Basta entrar em qualquer ministério em Brasília para constatar o que aqui se diz. Tem ministério que o efetivo de pessoal é tanto que entre os funcionários existe uma escala de trabalho onde uma turma trabalha na parte da manhã e a outra na parte da tarde, vez que se todos forem ao mesmo tempo não vai haver cadeiras, mesas, telefones, computadores para todos, por absoluta falta de equipamento e espaço. Isso é só uma amostra. Qualquer chefe tem uma secretaria com um número excessivo de pessoas, uma mescla de funcionários e contratados, onde o trabalho que em qualquer organização privada requereria uma pessoa, por lá se contam quatro e às vezes mais.

A senhora Dilma do alto de seu saber jamais ouviu as ruas, o povo. Ela só ouve as pessoas que a adulam, que concordam com sua opinião. Mesmo passadas três manifestações de rua, em menos de seis meses, que repudiaram seu governo, fato único na história do mundo; mesmo que a aprovação de seu governo esteja no insignificante 7%, mesmo assim ela se mantem com ouvidos surdos aos reclamos da população, esquecendo ou mesmo não querendo saber que exerce um emprego de caráter temporário e que é uma servidora do povo e não o contrário. Parece não saber que deveria governa para todos e não só visando àqueles que supostamente a elegeu e para suas malfadadas “organizações sociais e sindicais”.

A História nos ensina que todo governante que faz ouvidos surdos à população não tem um final feliz.