quarta-feira, 20 de maio de 2015

(IN)JUSTIÇA


Numa Galáxia Muito, Muito Distante.

Aquele lugar, ao longo do tempo, tem se mostrado lento no quesito modernização, mas nada tão singular quanto na área da justiça. Sua justiça além de muito lenta é, também, muito cega e esses dois fatores associados conduz à sensação de impunidade, descrença no sistema e muita frustação por parte do povo.

Do policial que se corrompe na rua por dez pilas ao magistrado dos tribunais superiores que se deixa levar por interesses estranhos à justiça enseja mazelas que afrontam àquela pobre sociedade. Senão vejamos: o policial que se corrompe por ninharia se justifica ao julgar que aquela pequena quantia não é um suborno e sim um agrado, um cafezinho, um quase nada. Contudo, esse é o começo de uma carreira pontilhada de delitos. O magistrado que julga levando em conta esse ou aquele interesse que não o interesse exclusivo da justiça, também erra.

Outro ponto crucial está nos processos, nas ações judiciais, nos escritos que chegam aos borbotões nos tribunais. Não parece ser necessário, pelo menos ao leigo de fora do sistema, que uma petição que poderia muito bem ter 3 ou 4 páginas chegar a ter de 30 a 40 e às vezes mais. São datas-venha; salvos melhor juízo; segundos esses ou aqueles fulanos; rodapés aos montes, citações às mais variadas e o que é essencial fica, na maioria das vezes perdido em meio a tantas palavras, textos e locuções absolutamente desnecessárias. Parece que foi esquecido que magistrados julgam de acordo com seus sentimentos, valores, crenças, conhecimentos, vivência, tudo em confronto com o que ele vê de essencial e não baseado em toda aquela baboseira.

E o que isso tudo traz de tão ruim? Primeiro os processos se agigantam de uma forma colossal; segundo se torna quase impossível ler tudo aquilo e é aí mora o perigo, porque quando muito se faz uma leitura diagonal. Nos tribunais de todas as instâncias um batalhão de assessores se encube de extrai daquela maçaroca o que é importante e dar um parecer. Ele, o assessor, que na sua grande maioria está ali sonhando dia e noite em se tornar, ele mesmo, o magistrado, muito embora isso raramente aconteça, não vê seu trabalho como um fim, mas sim como um meio e, dessa forma, não se emprega de corpo e alma a sua tarefa, conta as horas para sair, de ir para casa estudar, mesmo que nunca não o faça.

Os volumosos processos que de instância em instância engordam cada vez mais cria mais e mais dificuldade quanto sua leitura e consequente interpretação e a apuração do que é essencial fica à deriva. Assim, as decisões correm ao sabor de alguns achismos, suposições e, não raro, repetições.

Naquele lugar, hoje em dia, está na moda falar em reformas. Reforma de tudo, inclusive do seu judiciário, mas ninguém até hoje falou em reformar o modo de se apresentar as petições, isto é, em torná-las mais simples, mais enxutas, contendo tão somente o essencial. Desta forma qualquer um iria ler e rapidamente entender aquela petição e, o que é melhor, ter o real entendimento do assunto, das eventuais provas, qual o pedido e igualmente com relação ao contraditório.

Esse estado de coisa torna a justiça daquele lugar muito mais uma injustiça e contribui de forma decisiva para a lentidão do sistema.

Por tudo isso, talvez esteja aí o porquê da admissão de um número tão exagerado de recursos, e com eles a possibilidade de, com o tempo e outras leituras diagonais, se deparar com o que é essencial e assim se ter decisões mais justas.