terça-feira, 12 de dezembro de 2017

POR LINHAS TORTAS

POR LINHAS TORTAS

Diz o dito popular que Deus é brasileiro, não acredito, contudo, vamos combinar, Ele vez por outra nos dá uma boa ajudinha.
A esse respeito, como exercício didático, vamos voltar no tempo e chegar aos idos de 2005 quando, por obra e graça do então Deputado Federal Roberto Jefferson, acuado pelos comparsas (desavenças no balcão de negócios) denunciou para o mundo um esquema de compra de votos na Câmara dos Deputados, que logo ficou conhecido como o “Mensalão”. Em meio ao tiroteio que se seguiu foram logo abatidos, isto é cassados e com os direitos políticos suspensos por 8 anos, além do próprio denunciante Roberto Jefferson, também o todo poderoso ex-Ministro-Chefe da Casa Civil e Deputado Federal José Dirceu.
Abatido o Sr José Dirceu, ideólogo do partido, o cara que pensava, o PT viu frustrado seu projeto de perpetuação no poder e, imediatamente, saiu à caça de um substituto.
Voltando ainda mais no tempo, em fins de 2002 quando de uma reunião presidida pelo candidato eleito à Presidência da República Luiz Inácio Lula da Silva surge uma quase penetra, Srª Dilma Rouseff, então Secretária de Energia do Rio Grande do Sul, que trazia a tiracolo um LapTop e dele tirava informações sobre sua área de atuação, coisa que embasbacou o pouco letrado Sr Lula que, apesar de já ter decidido sobre quem seria o futuro Ministro de Minas e Energia, mudou de posição e de pronto optou por colocá-la à frente daquela importante pasta ministerial que, dentre outras, contem a joia da coroa, ou seja, a Petrobras. Como ministra de Minas e Energia acende ao cargo de Presidente do Conselho de Administração da Estatal e dentre as asneiras que ali cometeu, sobressai a desvairada autorização da compra super, hiper faturada Refinaria de Pasadina nos EUA, fato que muito embora tenha, sem sucesso, tentado transferir sua responsabilidade para outro Membro do Conselho restou provado sua culpa.
Mesmo atolada até o pescoço naquela embrulhada, acendeu ao Cargo de Ministra-Chefe da Casa Civil com a saída do Sr José Dirceu e, como tal, foi ungida pelo então Presidente Lula como candidata do PT e sua sucessora. Valendo da popularidade do presidente, que àquela época beirava as raias da loucura, venceu as eleições presidenciais de 2010 e tomou posse em 1º de janeiro de 2011. O transcorrer de seu primeiro mandato dava claros indícios de que as coisas estavam saindo dos trilhos e que não tardaria a piorar, como de fato começou aconteceu.
E a ajudinha de Deus? Já imaginaram um cenário sem Mensalão com José Dirceu, como Presidente da República? Certamente ele não iria, de jeito nenhum, cometer as barbaridades, as sandices protagonizadas pela Srª Dilma. O mensalão não teria vindo à tona e o projeto de perpetuação do PT no poder iria se desenrolar de vendo em popa.
Mas não foi só isso. Em 2014 voltamos às urnas e alicerçados em mentiras, enganação, manipulação de dados, contas governamentais manipuladas etc a Srª Dilma é reeleita, sendo que desta feita com uma margem estreita de votos. Assume seu segundo mandato em luta com as contas públicas de franca desordem e como se não bastassem todos os males vem à tona, por descoberta da Operação Lava Jato, o maior de todos os escândalos jamais visto e/ou sonhado em qualquer lugar da Planeta, o “Petrolão”, um esquema de corrupção tão poderoso e sofisticado que por pouco não varreu da face da Terra a maior e mais poderosa empresa brasileira, a Petrobras, e ainda depauperou dezenas de outras grandes empresas e até hoje ainda vemos seus tentáculos a crescer, alcançando empresas e pessoas antes tidas como intocáveis. O dano causado pelo Petrolão foi e ainda está sendo de tal monta que serão necessárias décadas para corrigir seus efeitos.
Em contrapartida no Governo Federal os assessores mais próximos da Presidente da República por incompetência, ousadia mal direcionada ou por pura ignorância a aconselha da pior maneira possível, a tal ponto que a levaram cometer Crime de Responsabilidade e, daí para o seu impeachment foi questão de pouco tempo.
E, mais uma vez, a ajudinha de Deus? Vamos imaginar que a Srª Dilma tivesse perdido a eleição e seu adversário, o Senador Aécio Neves, tivesse assumido a Presidência da República. Alguém de sã consciência acredita que haveria Operação Lava Jato e, por via de consequência, o Petrolão? Claro que não. Tudo seria acobertado e continuaríamos na santa ignorância com o lixo todo embaixo do tapete e o Povo Brasileiro a pagar a conta.

Como se diz: Deus escreve certo por linhas tortas. Essas suas duas ajudinhas, no meu entender, teve dois propósitos: primeiro evitar um mal maior e segundo nos dar a chance de redenção.