quinta-feira, 28 de agosto de 2014

PAÍS DOS COITADINHOS


Somos um povo pra lá de interessante. Fazemos piadas de desastres, sejam eles naturais ou não. Somos invejosos, basta lembrar que o brasileiro, em geral, não aplaude o trabalho duro e honesto, não dá valor a capacidade intelectual de ninguém, isso começa na escola quando um aluno se destaca por suas notas é logo taxado de CDF, e esta característica nos remete a conclusão de que, também, somos preguiçosos. Não damos o devido valor ao trabalho duro e honesto. Sempre pretendemos aprender sem estudar; ganhar um bom salário sem a contrapartida do esforço laboral, e por aí vai.
Uma pessoa, qualquer pessoa, que tenha claros defeitos, dentre eles alguns passíveis de severa punição, por incrível que possa parecer, recebe o reconhecimento e apoio de muita gente e aí se inclua até mesmo pessoas que se espera serem esclarecidas.

Quando morre aí a festa é geral. No Brasil morreu vira santo. E o interessante é que se foi uma pessoa digna e de bem, vira santo, mas se foi um escroque, um pulha da sociedade, para muita gente vira santo.
Estamos, neste exato momento, vendo esse fenômeno em sua plenitude. O candidato à presidência da República Eduardo Campos morreu em acidente de avião, acidente esse cercado de histórias e enredos mal contados e alguns até mesmo mal ensaiados, que vivo e em plena campanha, junto com sua vice, a Srª Marina Silva, não despertaram grande interesse junto ao eleitorado e, se as pesquisas não nos enganam, estavam aí com 11% das intenções de voto. Caso não tivesse havido o acidente e consequente morte do candidato, é de se sopor que a variação daquele percentual não teria se alterado significativamente.

Vejamos. O candidato morre a vice assume o seu lugar, em meio a uma comoção nacional. Não se pode negar que o Sr Eduardo Campos era um jovem político em ascensão e que certamente, se não nesta, mas em futuras eleições presidenciais seria uma peça a ser considerar com fortes possibilidades de levar o pleito.

E é neste momento que se faz presente o nosso jeito de adoração aos coitadinhos e a Srª Marina está encarnando com maestria o papel de coitada e de carona nesta nossa característica decola nas pesquisas. Não se questionou, em momento algum as possíveis qualidades, bem como os possíveis defeitos da vice guindada à posição de titular. Ficou no esquecimento, ou mesmo ficou batido, o fato de que a Srª Marina que hoje se diz evangélica, nada contra ser evangélica, religião que merece, como as demais, todo o nosso respeito e consideração, mas lembrar que a candidata que foi cria da Igreja Católica e com apoio da qual foi eleita vereador, deputada e senadora, ao abrigo do PT do Acre, e simplesmente lhe deu às costas. Não pode ficar no esquecimento o fato de que como ministra do Meio-Ambiente lutou bravamente contra a construção de usinas, mais que necessárias ao desenvolvimento nacional e que não foi das mais amigas do Agronegócio.
Se tivéssemos a possibilidade de enfileirar todos, aqueles que declaram votar na Srª Marina na próxima eleição presidencial e perguntássemos qual a razão de seu voto, cerca de 90% não saberiam responder ou diriam ser uma homenagem a Eduardo Campos (o Santo), os restantes 10% seriam aqueles que com o sem acidente dariam seu voto. É uma característica nossa que não contribui em nada e que só atrapalha.